Mais uma vez vai começar a correria atrás de uma casa nova! E isso me faz lembrar certo episódio...
Cinco anos atrás passamos por isso, cada dia era uma aventura, um bairro novo, um corretor novo, várias casas novas e velhas. Umas em bom estado, outras nem tanto, outras que até pareciam mal-assombradas. Foram quase três meses de procura e aventura pelos bairros de São Bernardo do Campo, que não parece, mas é bem grande, viu? rs
O corretor que mais nos acompanhou em nossas aventuras imobiliárias, por uma dessas coisas que acontecem na vida, é pai de um amigo da minha irmã, que ela apelidou de “Tio Tre”. Ele é uma pessoa boa, é simpático, cheio de boa intenção, é daquele tipo de corretor que não mede esforços para ajudar a satisfazer e superar os desejos e necessidades dos clientes, ainda mais quando se trata de alguém conhecido.
Certo dia, ele nos telefonou dizendo que havia encontrado uma bela casa, pela descrição que havia na imobiliária era a casa perfeita para nossa família e o valor era incrivelmente baixo. Era um pouco afastada, mas que valia muito a pena. Marcamos a visita para o mesmo dia, não queríamos deixar para depois o tão esperado momento de conhecer a casa perfeita!
Enfim chegou o momento, entramos no carro do corretor e percorremos as ruas de São Bernardo até o bairro da casa perfeita. Chegando lá, ele nos mostrou, que da rua dava para avistar a casa do Frank Aguiar, todo satisfeito. Será que ele é fã? Nunca fiquei sabendo! Mas o que isso nos importava? rs
Encontramos a casa, era uma das últimas daquela rua sem saída. Realmente era uma bela casa, um sobrado bonito, bem conservado por fora. Nessa época como visitávamos vários imóveis, eu fotografava alguns para não confundir com outros e nem esquecer os detalhes. Desci do carro já fotografando a fachada da casa.
Nessa ocasião, meu irmão estava se organizando para ir para a Alemanha, e como estava em casa decidiu nos acompanhar, juntamente com a esposa, que agora já é ex. Estávamos em cinco pessoas da família além do corretor, praticamente uma excursão para conhecer a casa “perfeita”.
Tio Tre tocou a campainha, ninguém atendia. Insistiu mais um pouco, dali a pouco aparece na janela um menino, de cerca de 6 ou 7 anos. Logo perguntando quem eram aquelas pessoas. Tio Tre se identifica, o menino diz que sua mãe não está, mas pede para esperarmos. Mais alguns minutos, eis que aparece uma menina de uns 8 ou 9 anos, vinda de uma das casas do outro lado da rua. O garoto havia chamado a prima, que também estava sozinha em casa, para protegê-lo dos estranhos. Ela perguntou quem nós éramos e abriu o portão. Ela estava com as chaves da casa.
Entramos, como em comitiva, todos atrás da garota. O corretor ia a nossa frente explicando rapidamente mais uma vez para as duas crianças que estávamos ali para ver a casa e que tínhamos interesse de comprar.
Percorremos todos os cômodos da casa, começando pelo térreo, sala dois ambientes, muito bem decorada e iluminada. Cozinha tipo americana, muito bem equipada, totalmente branca e bem iluminada. Descendo, o quintal era espaçoso, com uma pequena lavanderia, com os varais cheios de uniformes escolares secando ao vento, juntamente com um pequeno espaço para festas, com churrasqueira e mesa de madeira, logo atrás de onde deveriam ser as vagas de garagem. Subimos, encontramos as crianças, no meio do caminho, quietas, continuamos a explorar aquela bela casa. No andar superior, vários cômodos, todos muito bem decorados, cada um com um tema, a suíte principal com closet espaçoso, um jardim de inverno, uns dois banheiros e os quartos das crianças. A cada porta de quarto de criança que abríamos para conhecer encontrávamos uma ou duas crianças brincando ou jogando vídeo-game com cara de assustadas. Ao todo, cinco quartos, contando com a suíte principal, o que para nós é um exagero! Do lado de fora a casa não aparentava ser tão grande!
Depois de explorar cada cantinho da casa, Tio Tre agradece nossos anfitriões mirins, deixa um cartão e pede para que a mãe deles entrasse em contato conosco, pois pelo valor que ela estava pedindo poderíamos comprar aquela casa sem nem precisar pechinchar e ainda sairíamos no lucro! Eis que o garoto toma coragem e diz: Mas moço, minha mãe não quer vender a minha casa!
Tio Tre ficou totalmente sem saber o que fazer ou falar, ficou completamente imóvel, como a casa. Ele alcançou um pequeno pedaço de papel no bolso da camisa para conferir o endereço. E constatou o que acabáramos de descobrir: estávamos na casa errada! A casa que estava à venda era a da frente!
Ficamos sem saber se riamos ou se saiamos dali correndo antes que alguma das crianças, que estavam em um dos quartos no andar de cima, pudesse chamar os pais ou a polícia denunciando a invasão. Saímos rapidinho, mais rápido ainda foi o menino e a prima ao passarem a chave e a corrente no portão e voltarem correndo para dentro de casa.
Ficamos ali na calçada rindo e ao mesmo tempo morrendo de vergonha. Tio Tre que já é meio rosado por natureza estava quase púrpura de tão vermelho de vergonha. Nem quisemos ir ver a casa da frente, a que realmente estava à venda. Entramos todos no carro e voltamos, em silêncio, apesar de estarmos todos rindo internamente para não deixar o corretor mais embaraçado do que já estava.
Nos dias que se seguiram, continuamos a visitar mais alguns imóveis, mas não naquele dia, não tínhamos condições para isso. A sensação de invadir e explorar uma casa habitada por várias crianças aterrorizadas pelos desconhecidos foi de aventura, sem falar que para nós foi uma aventura hilária e inesquecível. Será que aquelas crianças se esqueceram disso ou será aprenderam a jamais abrir a porta de casa para desconhecidos? Espero que sim, pois nós éramos apenas uns desinformados, mas e se da próxima vez fossem pessoas mal-intencionadas???
Na foto: Tio Tre, eu e meu irmão e ao fundo a casa “perfeita”!
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